terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Natureza só se submete à civilização à custa de (muita) repressão

É preciso entender que, apesar da nossa aparente sofisticação, não passamos de só mais uma espécie animal na fauna deste planeta. Não temos nada de sublime, nada de superior, nada de especial, como românticos e místicos entusiasmados apregoam por aí. Nossa natureza é absolutamente animal. E avançamos e nos diferenciamos tanto em relação às demais espécies do planeta foi graças a uma enorme e contínua repressão aos nossos desejos animais.

Quem não gostaria de quebrar a cara de alguém que invada o seu espaço? Quem não gostaria de “rosnar” impropérios para alguém que a esteja incomodando? Quem não gostaria de trepar e gozar na hora que desse vontade, sem nenhum aparato regulatório do coito? Deixados soltos, completamente livres das amarras sociais, nós, seres humanos, seríamos pouco mais que símios selvagens, que nunca tivessem passado por nenhuma forma de adestramento e que, portanto, pudessem expressar livremente os seus instintos selvagens.

Como Freud afirmou, a sociedade só se tornou possível graças à repressão, intensa e contínua, da natureza humana, processo conhecido como “civilização”. Civilizar consistiu/consiste basicamente em domar as forças da natureza que, como em todas as demais espécies, andam à solta também na nossa, fazendo com que essas forças, subjugadas, passassem/passem a trabalhar em prol do “bem comum” da sociedade.

Ainda segundo Freud, os que se resignam à intensa repressão da sua “natureza humana” pelo processo civilizatório “sublimam” seus instintos animais e tornam-se “cidadãos de bem”, cumpridores da lei. Os que resistem aos dispositivos de controle da sociedade tornam-se deelinquentes, subversivos e revoltados, que precisam ser combatidos e excluídos do convívio social, a fim de não contaminarem a conduta de todo o grupo. (Letícia Lanz)

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