terça-feira, 9 de agosto de 2016

Rafaela Silva: preta, pobre e medalha de ouro. Chupa essa manga "burraguesia" nacional.

Não, ninguém tem noção de como é foda ser pobre, preta e praticante de um esporte considerado de elite. Ninguém, exceto pobre e preto, sabe o que nascer e crescer na periferia, relegada ao último plano de qualquer (des)governo, cujos (des)governantes só aparecem por lá na hora de comprar voto. Portanto, não me venham com histórias de superação para embalar a moral nojenta da “burraguesia” nacional, encantada com vitórias, sucessos, famas e riquezas. É preciso estampar, em letras garrafais, em todos os outdoors do país, que a medalha de ouro Rafaela da Silva é preta e pobre.

É preciso dizer, sim, que jovens "bem-criados", oriundos da "burraguesia", que ainda com fraldas começam a praticar judô como "estilo de vida", não conseguiram passar nem perto do feito de Rafaela. Que sempre viveu na periferia de uma grande cidade, como a esmagadora maioria do povo brasileiro. E que se dependesse de políticas públicas ou de empolados discursos de ativistas interesseiros ou de pastores neopentecostais que infestam a pobreza brasileira contemporânea, não teria jamais saído da Cidade de Deus, onde o capeta do abandono público reina absoluto, com sua corte de policiais corruptos e traficantes, matando pretos pobres como se fossem mosca varejeira. Rafaela Silva: preta, pobre e medalha de ouro.

Chupa essa manga "burraguesia" nacional.

(Letícia Lanz)

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