quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Respeitem as minhas escolhas, mesmo que não sejam escolhas

- Isso não é uma escolha! Respondem enfurecidas e melindradas quase todas as pessoas transgêneras ao serem abordadas por fundamentalistas de todos os naipes, insistindo em afirmar que ser ou não uma pessoa trans é uma questão de simples escolha e que, portanto, como toda escolha, é algo perfeitamente reversível.

Evidentemente que não é, mesmo porque, quando se trata de identidade de gênero, não se pode falar em “escolha”, mas em “identificação” (veja o artigo que escrevi recentemente a respeito: A sutil e fundamental distinção entre escolha e identificação).

Mas e se fosse estritamente uma escolha da pessoa transgênera? Será que isso modifica alguma coisa em relação ao respeito que a sociedade deve às escolhas individuais das suas cidadãs e cidadãos, uma vez que são escolhas que não ferem nenhuma lei existente?

As pessoas têm ou não têm livre arbítrio, portanto direito de escolher livremente, o rumo e o modo que querem levar suas vidas? Ou só “algumas escolhas são permitidas”, o que, no caso, põe por terra a tese, inclusive religiosa, de que as pessoas têm livre arbítrio?

Sendo escolha ou não – e reafirmo que não é – as pessoas transgêneras devem ser respeitadas pelo que elas são, assim como toda e qualquer pessoa considerada “diferente” dos padrões considerados “normais” pela sociedade.

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