quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma sociedade careta educa as pessoas para serem caretas

Donald Trump, candidato ao governo dos Estados Unidos
Careta é xereta: mete o nariz na vida de todo mundo. Careta adora moralismo besta, e vive cagando regra pros outros seguirem. Mas é tudo mutreta: por trás da fachada de "santa", faz até o diabo se avermelhar. Careta vive apoiado em muleta: em crenças e doutrinas bem caretas que sustentem a sua própria caretice. Careta adora fazer figura de gente boa. Mas cuidado: é boi da cara preta!
Embora ninguém nasça careta, a sociedade faz tudo para que todo mundo se torne careta, porque um careta é fácil de ser controlado. Uma sociedade careta educa as pessoas para serem caretas, vigiando-as e aterrorizando-as para que permanecem caretas do berço ao túmulo. E não adianta: se quiserem receber reconhecimento e aplauso, têm que ser caretas.
Caretas são bestas quadradas, paradas no tempo, que não conseguem nem pensar nem agir por si mesmas, que preferem seguir normas estapafúrdias, escritas há cinco mil anos ou mais, a terem que inventar, a todo momento, novas regras e critérios para se conduzirem na vida.

Uma sociedade careta é feita de gente careta, com ideias completamente caretas. Gente que se comporta de forma careta,que segue costumes caretas, que defende uma moralidade careta, que usa roupas caretas, ouve música careta, assiste filmes careta, que leva, enfim, uma vida absolutamente careta, apegados ao passado e com total aversão ao presente e ao futuro.
Mas será que existe vida na caretice? Vida é movimento e mudança por definição; caretice é imobilismo e estagnação e o outro nome disso é morte. Vida é criatividade e criatividade jamais acontece em clima de tédio e repetição. Vida é liberdade e caretice é dependência e submissão. Vida é muito além de qualquer forma quadrada de vida, baseada em receitas consagradas. A vida simplesmente detesta as coisas sempre iguais, perfeitamente previsíveis, perfeitamente ajustadas às exigências do mundo da caretice, da mesmice, da chatice, da patetice e da babaquice.
E você? Aposta na vida ou na caretice? Mas lembre-se que o seu jogo está sempre potencialmente terminando e que talvez essa seja a sua última chance de jogar.

(Letícia Lanz)

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