segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O diagnóstico de transgênero deve sempre anteceder qualquer outro tipo de diagnóstico

Cena do filme "Ma Vie en Rose" (1997), de Alain Berliner
O diagnóstico de transgênero deve sempre anteceder qualquer outro tipo de diagnóstico, principalmente o de orientação sexual. Uma pessoa pode apresentar características transgêneras sem ser homossexual, isto é, pode ser uma transgressora das formas tradicionais de gênero – homem/mulher ou masculino/feminino – sem ser alguém que deseja manter relações erótico-afetivas com pessoas do seu mesmo sexo biológico.

Na infância em especial, os adultos podem confundir - e confundem - a inclinação da criança pelo modelo social de gênero oposto ao seu como sintoma de homossexualidade quando, na verdade, não é possível inferir a orientação sexual de crianças em virtude da sua bissexualidade. Essa condição, normal na infância, não permite concluir qual vai ser a sexualidade “definitiva” da criança(como se houvesse “sexualidade definitiva”...).

Mas a grande maioria dos adultos, pela educação que recebeu, considera gênero como sinônimo puro e simples de sexo biológico. Logo, se alguém manifesta alguma identificação com o chamado gênero feminino será imediatamente classificado e tratado como se quisesse ser uma fêmea biológica com desejo sexual por homens, o que são dois enormes disparates!

Primeiro, porque existem homens efeminados que jamais pensaram em "trocar de sexo" ou transar com outros homens e, segundo, porque há fêmeas biológicas que não têm nenhuma atração por homens, mas por outras fêmeas biológicas. Essa linearidade sexo biológico –> gênero –> orientação sexual só existe na norma – totalmente esdrúxula – da sociedade patriarcal heteronormativa; jamais na realidade.

Portanto, a grande ameaça que ronda as pessoas transgêneras, além de todas as demais, é a de serem diagnosticadas como homossexuais, antes mesmo de serem identificadas como pessoas transgressoras de gênero ou seja, fora das características habituais atribuídas aos gêneros oficiais homem e mulher.

Por isso mesmo, continua sendo uma das coisas mais absurdas dentro das chamadas comunidades LGBTs, as pessoas transgêneras (o “T” da sigla)serem pura e simplesmente identificadas e tratadas como homossexuais (gays ou lésbicas) apenas "mais aparecidos e afetados" do que o restante dessa população.

Algo que é preciso combater veementemente pois, no limite, poderá levar muitas pessoas transgêneras a grandes frustrações e até ao suicídio.

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