segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sexy ou sensual?

Photo by Claude Guillaumin

A beleza sensual exala da pessoa, assim como o perfume exala de uma flor. Não se pode tocar o perfume, mas apenas sentir o seu aroma. Não se pode tocar a sensualidade, mas apenas senti-la em sua própria transcendência.

A beleza sexy, ao contrário, é totalmente material. Está em grandes e pequenos detalhes da pessoa: boca, nariz, olhos, coxas, pés, etc. É preciso tocá-la, nem que seja só com os olhos, para poder senti-la. 

A beleza sensual esteve desde sempre associada a uma sexualidade requintada e misteriosa, que demanda tempo e paciência para ser descoberta e apreciada. 

A beleza sexy está mais para uma sexualidade imediata, desnuda, sem segredo, absolutamente visível à primeira vista e que, por isso mesmo, pode também se tornar imediatamente vulgar.
   
Vivendo em um mundo de atributos escancarados, muitas pessoas acreditam que exibir atributos sexy do próprio corpo, sem nenhuma reserva ou discreção, é uma forma de ser sensual.

Não é. O que é sensual raramente é sexy, e vice-versa.

Infelizmente, a beleza sexy acabou se tornando uma filha bastarda da vaidade e do narcisismo, muito diferente da sensualidade, que é filha da espontaneidade, da naturalidade e da originalidade única de cada pessoa. 

Pode-se intervir no corpo para torná-lo sexy, mas não para torná-lo sensual. É preciso muito mais do que cirurgias plásticas para fazer desabrochar sensualidade em uma pessoa. É preciso que ela esteja no centro de si mesma, revelando respeito, carinho e admiração por si própria em cada simples movimento.

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