quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Não permita que os rótulos de identidade grudem em sua testa

Sexo, gênero, orientação sexual não são "dados" inexoráveis da natureza, mas "discursos normatizadores de condutas” , grandes dispositivos de controle que a sociedade desenvolve e obriga as pessoas a seguirem compulsoriamente, em razão de terem nascidos machos ou fêmeas biológicas.

Ser mulher ou ser homem não é um dado da natureza, mas uma mera imposição social. As pessoas aprendem a ser mulher ou a ser homem. A gente desempenha o papel de mulher ou de homem como qualquer ator desempenha um papel no palco. Só que essa representação está tão naturalizada entre nós que a gente passa a acreditar que se trata de algo absolutamente natural.

Mas a verdade é que qualquer pessoa pode ser mulher ou ser homem o quanto quiser, quando quiser, como quiser. Para ser mulher, não é necessário ter uma vagina, como não é necessário ter um pênis para ser homem. Bem, se um indivíduo nascido macho quiser ter uma vagina ou um indivíduo nascido mulher quiser ter um pênis, se achar realmente importante mexer no corpo para ter uma vagina no lugar do pênis ou vice-versa, a medicina plástica está super avançada e é capaz hoje em dia de criar uma vagina perfeitamente funcional; apesar de mais complicada, a criação do pênis está se aperfeiçoando a cada dia.

Por outro lado, "ser mulher" não implica em gostar automaticamente de homem para se apaixonar e/ou fazer sexo. Orientação sexual é também um discurso sociopolítico-cultural, um discurso normatizador, um dispositivo de controle social.

Viver é uma coisa; desempenhar um papel é outra. Por trás do personagem há sempre o ator, que é uma pessoa, um indivíduo, um ser humano. Quando eu digo para as pessoas não permitirem que os rótulos de identidade grudem em suas testas é para que elas não se convençam definitivamente de que realmente são o personagem que representam, até acabar se transformando no próprio personagem.

Você pode ser mulher, ser homem, ser lésbica, ser gay, ser hétero o quanto quiser, variar essas combinações o quanto quiser. Só não pode deixar de ser o que você é, ou seja, gente. O que os rótulos fazem é eliminar inteiramente a possibilidade de ser gente, matando sem piedade a pessoa única que existe em cada pessoa, tornando-a "dócil", domada e "perfeitamente administrável" pela ordem social em vigor.

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