sábado, 12 de novembro de 2016

Não há mistério nenhum em saber para onde estamos indo...

Nada mais certo do que as incertezas do mundo contemporâneo. Em nenhum outro período da história, tivemos tanta clareza quanto ao futuro que nos espera.

E não se trata mais de nenhum tipo de “previsão” ou de “visionarismo” histórico, mas de certezas quase absolutas de que, seguindo os caminhos que estamos seguindo, individual e coletivamente, chegaremos fatalmente a lugares, momentos e situações em que nenhum de nós desejaria chegar.

Então, se ninguém deseja ir para onde está indo, a passos largos, porque é que continuamos a trilhar os caminhos que fatalmente irão nos levar para onde nenhum de nós quer ir?

Mesmo no meio da mais tenebrosa crise pessoal ou coletiva, ainda é possível a gente se lembrar que outros tipos de vida são possíveis. Que podemos abrir a porta e sair, com todos os custos que essa saída pode representar. Definitivamente não precisamos permanecer a vida inteira do mesmo jeito que sempre fomos, nem fazer as coisas, hoje, exatamente do jeito que fizemos ontem e que, se nada fizermos para mudar, faremos amanhã, de “mamando” a “caducando”.

Só que mudar é a coisa mais difícil que tem. Os estudos de comportamento humano assinalam que, por mais terrível e indesejada que seja o modo atual de vida das pessoas, elas tendem a permanecer indefinidamente atreladas aos mesmos sistemas políticos e aos mesmos estilos de vida, a menos que lhes sobrevenha uma grande catástrofe.

E bota catástrofe nisso! Tem que ser catástrofe mesmo, parruda, daquelas de meter medo em anjo-da-guarda. Para convencer as pessoas de que é preciso mudar o sistema político e/ou o seu modo de vida individual, não vale catastrofezinha besta, não, dessas que nos acostumamos a ver aos montes, todos os dias, no mundo em que vivemos.

Aliás, não faltam os “arautos do medo” que não se cansam de falar na colisão de um meteoro com a terra, tão potente que vai tirar o planeta do seu próprio eixo e transformar a vida dos sobreviventes num inferno. Como se já não fosse hoje, sem nenhum meteoro a vista...

O mais paradoxal de tudo é que vivemos “a era da incerteza”, apesar de vivermos na era da “previsibilidade quase absoluta”, em que é possível antever, com elevadíssimo grau de precisão, os efeitos das nossas ações individuais e coletivas sobre a natureza e sobre a sociedade humana.

O problema é a resistência à mudança. Para a maioria, mais vale um inferno conhecido do que um céu duvidoso, o que leva essa mesma maioria a investir na continuidade dos modelos existentes, em vez de investir em modelos novos. A sociedade e, naturalmente, as pessoas, têm tanto medo e aversão a mudanças que nem terremoto grau 10 na escala Richter, seguido de vários tsunami, é capaz de fazê-las sair do lugar.

O grande receio de quem não quer mudar, de quem tem um medo absurdo da mudança, é a perda dos antigos referenciais binários de certo/errado, homem/mulher, nativo/estrangeiro, preto/branco, cis/trans.

Estamos assistindo à luta do mundo transcultural, transracial, transnacional, translinguístico e transgênero, recém-parido da revolução tecnológica iniciada no final do século XX, lutando para superar o mundo cis-étnico, cis-racial, cis-nacional, cis-linguístico e cisgênero, fantasma tardio da revolução agrícola de 10.000 anos atrás, que ainda teima em impor seu raciocínio binário, completamente falido e deslocado do mundo trans-tudo em que vivemos.

E você, em qual desses mundos você está votando, inclusive ao votar nos seus candidatos a cargos eletivos, ou a passar valores para os seus filhos, ou a defender os seus pontos-de-vista de como a vida deve ser?

Quem é você? Um progressista militante ou um reacionário tentando segurar toda e qualquer pluralidade e diversidade que uma nova era impõe à humanidade?

Para acabar com a sua insegurança, basta olhar atentamente quem você é e quem são a maioria das pessoas que estão à sua volta. Basta olhar para onde vocês estão caminhando, como indivíduos e como sociedades.

Como vêm, não há mistério nenhum em saber para onde estamos indo...

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